Uma história de ônibus lotado, bicho e confusão - Entre Sujeitos e Verbos

10/08/2014

Uma história de ônibus lotado, bicho e confusão

Foto: Reprodução
Era apenas mais uma volta para casa depois de um dia cansativo. Ou era pra ter sido. O ônibus, lotado como sempre, finalmente chegava a um trecho livre da pista e eu podia imaginar que logo chegaria em casa. Com os braços já cansados de segurar aquela barrinha amarela, via meu reflexo no vidro da janela. Apenas ouvia-se o barulho do motor e de outros veículos passando. As pessoas caladas, cada uma perdida em sua própria cabeça.

Até que ouve-se algo batendo forte no chão. Começa uma movimentação, um burburinho, ao fundo do ônibus. Perigoso do jeito que anda mundo, as perspectivas são sempre as mais pessimistas. Mas foi tudo tão rápido que não deu para pensar em assalto. Algumas pessoas gritavam, como fugindo de algo, outras riam. Não era um assalto. Todo mundo olhando pro chão, levantando as pernas, devia ser um bicho!

Eu não tinha para onde ir, apenas tentava olhar para o chão naquele mar de gente, na esperança de que se pudesse ver o tal bicho, talvez pudesse levantar um pé, depois o outro e deixá-lo seguir seu caminho. À essa altura, as gargalhadas e gritinhos já eram uma confusão. E ainda tentando enxergar o chão, eu me peguei rindo daquela situação e pensando na boa história que poderia me render. Mais uma história de ônibus lotado.

"Caranguejo!", alguém grita. Eu penso como um caranguejo tinha ido parar naquele ônibus. Só conseguia imaginar aqueles vendedores de caranguejo vivo e um dos danados decidindo que era hora de ir embora. Mas o que um vendedor de caranguejo ia estar fazendo no ônibus àquela hora da noite? Não era hora de pensar logicamente.

Mais risos, gente nas partes mais altas que conseguiam, levantando as pernas e eu olhando para o chão pelas poucas brechas que conseguia. Da mesma maneira que a confusão se instalou, logo se acalmou. Restaram apenas os risos, as entreolhadas que significavam "não entendi muito bem o que aconteceu". Mais risos. Uma menininha do meu lado perguntando à mãe "cadê o caranguejo?".

Duas mulheres rindo e uma delas explica que não era um caranguejo.
"Era um camaleão!".

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