Era uma vez em Nova York - Crítica (2014) - Entre Sujeitos e Verbos

27/08/2014

Era uma vez em Nova York - Crítica (2014)

Este post foi escrito por Bardo quando colaborador do Entre Sujeitos e Verbos

É pecado tentar sobreviver?


Dirigido por James Gray, Era uma vez em Nova York (The Immigrant, produzido em 2013, mas tem sua estreia no Brasil apenas este ano, em 28 de agosto de 2014) relata a história de Ewa Cybulska (Marion Cotillard) que chega junto a sua irmã, Magda Cybulska, à Nova York da década de 20 do século passado, após saírem da Polônia arrasada pela Primeira Guerra Mundial. Magda, porém, chega com tuberculose, e fica presa no hospital em Ellis Island. Com Ewa o problema não é tão diferente: ela é ameaçada de ser deportada por um incidente ocorrido na embarcação na qual veio à América junto a sua irmã. Ewa é socorrida por Bruno Weiss (Joaquin Phoenix, em mais uma atuação fantástica) que, pagando propina por sua liberdade, a acolhe em sua residência. Mais tarde, Bruno a convence a usar o corpo. O objetivo é conseguir dinheiro para conseguir a liberdade da irmã.

A Nova York dos anos 20 é retratada suja, em uma fotografia encardida, como se o sol sempre estivesse se pondo (à noite, os ambientes são iluminados sombriamente pelos lampiões). Nada mais proporcional à situação da imigrant na parte pobre de Nova York. Para conseguir seus objetivos em alcançar o american dream e uma chance melhor de vida, Ewa encontra mais obstáculos do que portas abertas: os tios que lhes esperavam lhe fecham as portas quando escutam as notícias de moralidade duvidosa por parte das sobrinhas na vinda à Nova York. 

De todos os empecilhos e cargas talvez a moralidade seja seu principal empecilho durante o enredo: Ewa rejeita os toques de homens, católica como é, mas ao perceber que talvez a única saída para a liberdade da irmã seja utilizar seu corpo, ela o faz. Ewa se confessa, e o padre lhe diz que a única maneira de se redimir é abandonar os pecados. Ewa abaixa a cabeça, engole o choro, e abandona o confessionário.

Em um determinado momento, Ewa pergunta à tia se é pecado tentar sobreviver. A tia calada apenas chora. A dor de não poder ultrapassar o rígido moralismo do marido - que renega a sobrinha para não manchar sua reputação - e da dúvida quanto à conduta da sobrinha - ela ouve a sobrinha de lado, como dividida entre compreendê-la ou se apegar às fortes crenças e valores, renegando-a. Em Ewa, porém, a força dos vínculos familiares parecem se sobrepor a qualquer outra relação. Ela abandona suas crenças e vínculos com outros em prol de libertar sua irmã.

James Gray prenuncia momentos de tensão (momentos divisores de águas para as mudanças de cada personagem) ao pôr a câmera à distância, perscrutando os personagens das janelas, atrás de portinholas, diante de espelhos - como com receio de encarar os personagens ou as situações que estão prestes a afetá-los. Em detalhes percebemos a mão de Gray, conduzindo a história de Ewa de forma precisa e tocante. Um cinema escasso hoje em dia.

Direção: James Gray

Gênero: Drama
Duração: 120 min.
Distribuidora: Europa Filmes
Classificação: 14 Anos
Elenco: Marion Cotillard 
Joaquin Phoenix
Jeremy Renner
Dagmara Dominczyk
Angela Sarafyan
Antoni Corone
Deedee Luxe

Este post foi escrito por Bardo quando colaborador do Entre Sujeitos e Verbos

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