Anos 1 a 4

Sobre aquilo que a gente não entende

08:00

Foto: Reprodução
Sei que entender faz parte da condição humana. Ou tentar entender, pelo menos. Porque o homem é u ser racional e entender faz parte da racionalidade. Isso é muito importante, eu sei. Possibilitou a criação de muitas coisas. Para o bem ou para o mal. Mas acontece que, infelizmente ou felizmente, nem tudo pode ser entendido pela gente.

E nessa ânsia de entender tudo de qualquer maneira, aquilo que não entendemos é considerado absurdo. Impossível. Inimaginável. Inexistente. Inaceitável. Como somos bobos! E pequenos. E vivemos apenas no nosso mundinho racionalmente explicável. Porque a chuva cai. Porque o céu é azul. Porque, porque, porque... Palavrinha que nos acompanha desde a infância.

Se aceitássemos que nem tudo pode ser entendido pela gente. Que tem coisa que só vai fazer sentido um dia. Daqui a uma semana. Daqui a dez anos. Que tem coisa que mesmo que nos expliquem, não vai ser aceitável. A vida seria bem melhor. Se deixássemos de perder tempo tentando entender o inintendível. Se parássemos de culpar o que não sabemos. Se aceitássemos que não podemos saber tudo.

Quem sabe assim as coisas começassem a fazer mais sentido.

Anos 1 a 4

O amor existe

22:18


Nunca acreditei em príncipe encantado, perfeição ou amor à primeira vista. Sempre me considerei romântica. Mas nunca acreditei em utopia. Amo sonhar e gosto muito da realidade. Da concretização dos sonhos. Sempre ignorei as coisas fantasiosas demais, porque elas não existem. Acho assim.

Sou realista, romântica, prática e dramática. Se é que se pode ser tudo isso de uma vez só. Acredito que dá. E sempre foi assim. Talvez isso tenha atrapalhado alguma vez. Talvez não. Não importa. Sempre gostei da ideia de beijo na chuva, troca de olhares, flores e chocolate. Mas não acreditava que isso pudesse existir muito além dos livros e filmes. Eu achava lindo, mas deveria ter um lado real daquilo. E eu achava que sabia.

Achava que paixão era amor. Que ausência era saudade. Que sentir falta vez ou outra era o fim de tudo. Até que apareceu esse tal moço. Que me mostrou que nunca tinha amado de verdade. Que ainda podia sentir as tais borboletas no estômago. Que saudade é algo que aperta o coração de verdade e até faz lágrimas surgirem.

Me tornei uma romântica completa. Dessas melosas mesmo. Dessas que eu não entendia. Dessas que dorme e sonha. Acorda sonhando. E sonha acordada. Dessas que encontra sentido em cada palavra de músicas e textos românticos. Dessas bem utópicas.

Se agora eu acredito em utopia? Não mesmo. Acredito, como sempre acreditei, que o amor existe. Que ele não é o culpado de nenhuma das tantas vezes em que é acusado. E todo mundo deveria ter a chance de descobrir isso um dia. Encontrar alguém pra ser amigo, companheiro, amor.

O amor existe, sim. Mesmo que tentem provar o contrário. E amar não tem nada a ver com borboletas (utópicas) no estômago. Ele é concreto e real. E vai muito além das palavras. São atitudes, gestos, toques, olhares. Pequenas infinidades. Que durem quanto tiver de durar. (E que seja sempre!)

Anos 1 a 4

Perigo: inflamável! Um breve relato sobre as manifestações no Brasil

08:00

Foto: reprodução/O Globo
* Esse post foi escrito antes das manifestações anti-copa que ocorreram no dia 22/02 *

Não quero ser hipócrita. Vou logo avisando que não faço o tipo revolucionista. Lembro de apenas uma vez, ainda pequena, ter participado de uma passeata e nunca mais. Mas devo dizer que as manifestações que ocorreram no Brasil no ano passado, e só agora venho falar delas não sei porque, mostraram que uma parcela da população sabe o peso que a força popular representa.

(pra quem não acompanhou ou quer relembrar mais ou menos o que aconteceu, as reivindicações, alguns resultados, sugiro a linha do tempo elaborada pelo G1)

Não quero falar aqui sobre como as pessoas queriam redução das passagens de ônibus ou melhorias no transporte público ou protestar contra os gastos com a Copa do Mundo. A mídia fez o papel de mostrar isso. Apesar de que houveram muitos momentos em que os espectadores não sabiam do que se tratavam os protestos e nem mesmo os manifestantes pareciam saber o que buscavam.

Isso se deve, talvez, ao fato de que muita coisa no nosso país desagrada a nós, brasileiros, e portanto não sabemos por onde começar a reclamar. Muitas reclamações, poucas ações. E não falo apenas dos nossos governantes, que são escolhidos por nós mesmos. Mas de todos nós, que não somos capazes de pequenas ou grandes ações, mesmo quando essas poderiam ser feitas por nós.

Os que reclamam, diferente daqueles que parecem viver alheios a qualquer situação no país, nem sempre estão mais empenhados em efetivar mudanças. As reclamações existem, mas ninguém sabe ao certo por onde começar ou quais seriam as melhores soluções. Pra quem não sabe, além dos famosos abaixo-assinados e aparições na mídia como um todo, existem ainda desde as associações de condomínio ou bairro até os Projetos de Lei de Iniciativa Popular.

Mas parece que os ânimos se aquietaram no país do futebol. Uma brasa foi acesa, houve o risco de incêndio, mas esse nem sequer incendiou o coração de toda a população.

Anos 1 a 4

Invisíveis

18:14

Foto: reprodução
Eles estão nas esquinas, nas praças, nos becos. Não são notados. Não chamam atenção. Pelo menos, não da maioria. Nos semáforos, nas pontes, no mato. Apenas sobrevivem. Ao frio, à fome, à chuva, ao sol e diversas outras intempéries. Invisíveis, passam despercebidos pela maioria que passa depressa, aturdida por seus problemas.

Por trás de cada corpo esquálido, de cada par de olhos desesperançosos, existe uma história. Existem fatos e dias e situações. Existem outras pessoas. Existem sonhos. A maioria, sonhos roubados. Sonhos que agora parecem, aos olhos da invisibilidade, inalcançáveis.

Sonhos perdidos. Esperanças mortas. Vidas roubadas.

Anos 1 a 4

Ela; minha mãe

08:00

Foto do projeto Mother + Daughter

Se tem uma mulher que merece ganhar algumas palavras minhas é ela. Ela já ganhou muitas e foi uma das primeiras pessoas a ler as primeiras coisas que escrevi. Aquelas coisas sem vocabulário extenso, bem simples, quando não se sabe sequer o que é verbo ou sujeito.

Ela me ensinou a andar, a falar, a ler, a cozinhar, a pegar o ônibus, a amar, a sonhar, a buscar, e tantos milhões de outras coisas. Ela me deu a mão quando fui ao dentista pela primeira vez. Estava lá quando precisei, quando me formei, quando passei de ano, quando realizei sonhos, quando tive medo. Me fez cafuné e ficou comigo até que eu pegasse no sono quando tive pesadelos. Cantou canções de ninar e contou até mil quando pedi. Apesar que dormi antes de ouvir ela contar todos os números.

Ela me deu broncas, me colocou de castigo e me ensinou que nem tudo é como a gente queria que fosse. Ela me ensinou que não podemos nunca, em hipótese alguma, desistir dos nossos sonhos, nem que eles demorem de se realizar. Só não podemos magoar ninguém pelo caminho.

Ela esteve comigo quando tive dúvidas, quando tive certezas e me apoiou em todos o casos. Ela me deu a definição mais simples e sincera de amor que uma criança poderia ouvir: você ama alguém quando pensa muito naquela pessoa, quer muito o bem daquela pessoa, sente falta, quer compartilhar tudo e gosta de estar com aquela pessoa. Ela me ensinou que risos aproximam pessoas. Que beijos transpassam carinho. E abraços tranquilizam e fazem todos os problemas sumir.

Ela traz consigo muitas histórias e muitos sonhos. Ela acorda cedo, trabalha, cuida de muita gente, dorme tarde e consegue fazer isso de segunda a segunda, 24 horas por dia.

Ela. Meu porto seguro. Minha amiga. Minha mãe.

Anos 1 a 4

Sobre educação e primeiro emprego

18:45

Um dia desses estava no ônibus e, me desculpem, não pude evitar de ouvir uma conversa entre duas jovens que me fez repensar umas questões sobre educação e primeiro emprego que há muito me incomodam. Aliás, faz tempo que queria escrever sobre essas questões e vinha adiando.

As meninas deviam ter algo em torno de 19 anos. Não sou boa em deduzir idades. Ambas haviam terminado o ensino médio e estavam tentando conseguir um emprego. O primeiro. A conversa me chamou a atenção quando uma delas disse: "nunca pensei que seria tão difícil conseguir um emprego quando terminasse de estudar". E começaram a falar sobre suas experiências em entrevistas de emprego.

Devo começar dizendo que dois trechos na frase da menina me chamaram a atenção: 1. dificuldade de conseguir o primeiro emprego; 2. "quando terminasse de estudar". Comecemos pelo número 2. Terminar os estudos. Isso é possível? Cresci ouvindo que nunca devemos ou podemos parar de estudar. Familiares, professores, todos me diziam a mesma coisa. Acontece que a maioria dos jovens no nosso país não têm a mesma perspectiva. Infelizmente, concluem o ensino médio (quando concluem) e partem em busca de sobreviver. E isso leva ao trecho número 1: dificuldade de conseguir um emprego.

Durante o ano passado, meu último no ensino médio integrado ao técnico, descobri o quanto pode ser difícil e demorado entrar no mercado de trabalho. E como eu queria! Entrevistas e mais entrevistas, surgiam cargos que exigiam experiência, maioridade, carteira de motorista, especificavam gênero. E até conseguir meu primeiro estágio, levaram alguns meses. E isso sendo que curso o ensino técnico. Para os milhões e milhões de jovens que não chegam nem a concluir o ensino básico a situação pode ser muito pior.

A pior parte é a péssima (sim, péssima, terrivelmente péssima) educação que nosso país oferece aos jovens. A educação brasileira é muitas vezes mascarada como excelente por provas que não são realmente indicadoras de qualidade. Uma das milhões de provas disso também esteve presente na conversa das meninas no ônibus, que me pareceram estar a caminho de mais uma entrevista de emprego.

Em determinado momento uma delas explicava que havia feito uma prova para trabalhar numa farmácia. A prova era uma etapa da seleção, que ainda deveria contar com entrevista. Quando ela afirmou que a prova foi dificílima, nas palavras dela "muito difícil, sou muito ruim em matemática e só tinha matemática", a outra perguntou o que havia sido cobrado e ela respondeu: "Imagine: só tinha conta de menos com vírgula!"

Anos 1 a 4

Domingo

19:13

Foto: Reprodução
"Vai começar o jogo". Ele fala isso quando ainda faltam uns trinta minutos pro jogo começar. "Vou fazer a pipoca", eu digo. Faltam dez minutos. Pego o notebook, sento no sofá, começo a escrever. "Hoje vamos ganhar", ele senta do meu lado, totalmente empolgado. Eu olho pra ele. Sorrio. Volto pra cá e continuo a escrever. "Ah, hoje você vai torcer comigo", ele tenta pegar o computador. "Eu vou escrevendo e vou prestando atenção", continuo escrevendo. "Você sempre diz isso", ele sorri. "Ah, eu gosto desse cara", penso, sorrindo de volta.

Começa o jogo. Ele esquece que não estou realmente torcendo (não entendo nada de futebol), mas tento dar meu apoio moral. "Quase", ele grita. Paro de escrever e só observo sua reação. Ele gosta mesmo de futebol. Olho pra televisão, numa nova tentativa, dentro de milhares, de tentar gostar daquilo. Não consigo. Acho melhor prestar atenção nele. Ele levanta, aponta, senta, levanta de novo... Deve estar difícil. Continuo escrevendo.

"Gooool!" (pausa no texto porque ele me puxa pelo braço, me carrega, gira, "gooool!"). Eu até comemoro. Não vi o lance, não vi o gol, mas tô feliz também.

Termina o jogo. Ele vira pra mim, "jogão, né?". Ele sabe que não entendo nada. Mas concordo. E rimos bastante. Ele me explica como está a situação do time no campeonato, eu presto atenção e até entendo na hora. Mas esqueço depois. Não me entenda mal, sou uma aluna dedicada e quero ser ouvinte dele sobre o que ele gosta. Mas, realmente, futebol não é comigo.

Ele procura saber o que tô escrevendo. E depois é minha vez de encher ele de informações que gosto e ele não entende. Mas me ouve, atento.

Somos bons nisso. De conversar sobre o que gostamos com quem gostamos.

E o domingo termina com um filme romântico.

Anos 1 a 4

E lá vem outro ano

17:12


Outro dia começava 2013.
E lá se foi o ano...
E quantas conquistas!
E lá se foi o ano.
E quantas lágrimas!
E lá se foi o ano.
E quantos sorrisos!
E lá se foi o ano.
E quanta felicidade!
E lá vem outro ano!

Vou logo pedindo desculpas pelo quase abandono aqui no ESV. Ando numa grande correria e vou fazendo o possível pra equilibrar tudo. Tenho alguns planos pro blog e espero poder colocá-los em prática logo, logo.

Pra começar, desejo um 2014 cheio de saúde, paz, tudo de melhor pra todos os leitores do Entre Sujeitos e  Verbos! Obrigada por tudo, pessoal :)

Pra acompanhar o blog > Facebook, Flickr, Twitter

Anos 1 a 4

Ei, moço!

07:00

Foto: Tumblr
Quero começar dizendo que sei que você vai ler isso. E também sei que você tem esperado por essas palavras minhas. Sem nem saber que já ganhou tantas das minhas linhas. Saiba que algumas delas vou guardar só pra mim. Mas essas aqui são suas. Pode pegar e guardar no bolso. Ou no coração. Onde achar melhor.

Ei, moço, olha pra mim. Olha no fundo dos meus olhos e deixa eu olhar dentro dos seus. Esse olhar sincero que me faz sorrir tão fácil. Quem diria que estaríamos onde estamos, moço? Eu e você. Tão improváveis. E, meio que sem querer, de repente e tão devagar, alguma coisa aconteceu. Você e eu. Que já nos apaixonamos antes, e fomos felizes, e choramos. Eu e você. Que dividimos a certeza de que tudo valeu a pena pra chegarmos onde estamos hoje. Você e eu. Querendo estar cada vez mais perto. Eu e você. Que sentimos passar tão rápido o tempo quando estamos juntos.

Sabe, moço, quando você me disse que podia ser diferente se quiséssemos que fosse, eu ainda sentia medo. Um sentimentozinho lá no fundo, de auto-proteção. Mas ali, enquanto você me olhava tão sinceramente e dizia que tanto me queria bem e feliz, eu não pude evitar. Aquele medo foi ficando cada vez menor. E a vontade de te fazer feliz também foi crescendo em mim. Quero ver você feliz também. Poder olhar sem querer pra você e te pegar distraído olhando pra mim. Bobo, feliz. E fazer do seu abraço um abrigo. Por que quando estamos ali, abraçadinhos, os problemas parecem não ter tanta importância, e serem fáceis de resolver.

Você tem me ganhado cada vez mais, moço. Não só com aquelas primeiras palavras e aquela flor. Mas todos os dias. Em cada palavra sua, em cada gesto seu. Em cada sorriso, em cada olhar. Em cada abraço apertado.

Espero que saiba que também pode fazer do meu abraço um abrigo seu. E que também te quero bem e feliz.

Anos 1 a 4

A dor precisa ser sentida

10:39

http://www.just-carol.com/

"Esse é o problema da dor, ela precisa ser sentida" (John Green - A Culpa é das Estrelas)

Não tem jeito. Uma hora cansa todo mundo dizendo que é hora de seguir em frente. Você não quer seguir em frente. Pelo menos, não por enquanto. Você quer se aprofundar no que tá sentindo. E você sente dor. E estou falando de todos os tipos de dores. A dor da decepção, a dor do esquecimento, a dor da saudade, a dor da espera, a dor do medo, a dor de ter batido o dedinho do pé na mesa. No momento, a dor precisa ser sentida. Para algumas pessoas é preciso chorar, gritar, tentar entender o por quê. Então é isso o que você faz.

Você chora pela dor da perda, que vem acompanhada do medo do esquecimento. Porque o esquecimento está ligado a falta, que está ligada a perda, e aí morre a esperança. A sensação de que tudo o que foi vivido está sendo apagado aos poucos e parece injusto deixar que boas lembranças sejam apagadas. Então você alimenta aquelas lembranças. Mas o tempo vai modificando-as aos poucos. Mesmo você querendo que aquilo não aconteça. Porque você tem medo. Medo de esquecer e de criar novas lembranças. Porque parece injusto deixar pra trás aquelas que tanto te fizeram feliz e partir em busca de novas.

Não acho que devemos deixar boas lembranças pra trás. Não deixe. Guarde-as num local seguro. Mas com a certeza de agora serão apenas lembranças. Não serão momentos de novo. Até aceitarmos isso, dói mais um pouco. E a gente não quer, a gente esperneia, chora, diz que não, não e não. A dor precisa ser sentida. Mas não pra sempre.

Chega um momento que chorar cansa. Não dá mais pra ficar esperando por algo que você sabe que não vai voltar. Às vezes, você soube disso desde o início, mas só agora caiu no entendimento. E você percebe que é hora de seguir. Não que pare de doer de uma hora pra outra. Mas que você se acostuma com a dor, que vai diminuindo aos poucos, até que ela seja mais uma lembrança, mais uma experiência. E talvez você ainda sinta a mesma dor muitas outras vezes, talvez menor, talvez mais forte. E cada vez que você sentir isso, é preciso saber que uma hora passa. Mesmo que no momento pareça impossível. Não é.

Então você segue. E percebe que ainda há tanta coisa que você pode fazer. Por você. Pelos outros. E você se aproxima de si mesmo, e descobre tanta coisa, e tanta felicidade. E percebe que a dor valeu a pena, no fim das contas. Porque ela também nos ensina muita coisa.

Então, sinta a dor o quanto for necessário. Mas não tenha medo de deixá-la ir quando for a hora. 

Anos 1 a 4

Dezoito Primaveras

16:43


Ah, sei que é clichê as pessoas se referirem aos aniversários como primaveras. Mas acho que comigo sempre foi mais real, como para todas as pessoas que nasceram na primavera. Sempre gostei da ideia de ser como as flores. Delicada, com espinhos também, meio que florescendo pra vida! E desde pequena eu dizia que era uma flor, nascida na primavera. E agora cá estou, florescendo uma vez mais! Como diria meu caro Machado de Assis, "Entreaberto botão, entrefechada rosa" (amo essa citação!). Então, desejo a mim mesma que essa nova primavera que se inicia possa me fazer mais feliz que todas as outras, que tanto me trouxeram felicidade, e que eu possa espalhar meu aroma pelo jardins das pessoas maravilhosas que moram no meu coração.

Anos 1 a 4

Quem é você?

10:53

Foto: Tumblr

Quem é você? O que é que você tem que mexe tanto comigo? Deixa eu te conhecer melhor. Deixa eu saber o que tem em você além daquilo que todo mundo conhece. Deixa eu te perguntar qual sua cor favorita, ou quais são os seus sonhos. Deixa eu aprender a entender seus olhares, e sorrisos. Deixa eu aprender a te ler. Me mostra quais são seus maiores medos. Guarda esse seu lado inabalável e me mostra que precisa de cuidado. E eu te cuidarei. Se você quiser.

Deixa eu saber sua sobremesa favorita. E o que mais ama no mundo. E o que mais te magoa. Confia em mim. Aprende que eu quero o seu bem. Me chama quando der vontade. Segura minha mão quando tiver medo. Vou estar aqui, se você quiser.

Me conta sobre sua infância, ou sobre "o que quer ser quando crescer". Me conta seus segredos, ou qual seu bicho predileto. Qual seu dia preferido na semana, ou um talento seu que ninguém conhece. Me conta seus defeitos, ou o que faz pra melhorar. Me diz qual ou quais foram os melhores dias da sua vida. Me conta o que quer fazer amanhã, ou depois. Me diz sua combinação predileta de sabores, ou alguma alergia.

Qual sua música favorita? Ou o filme que mais gosta? Ou o seu lugar preferido no mundo? Se você tivesse direito a um último desejo, qual seria? Sol ou chuva? Frio ou calor? O que eu preciso saber sobre você?

Deixa eu te encher de perguntas. Me diz quem é você.

Anos 1 a 4

Sabe, moço?

09:58

Foto: Tumblr
Sabe, moço? Te olhando assim, de longe, fico pensando tanta coisa. Você lá, eu cá. Tão distantes. Tão improváveis. Sabe, moço, estávamos destinados a isso desde sempre. Espera, estávamos mesmo? Ah, se tivéssemos nos conhecido antes. Ou depois, quem sabe. Em outro lugar. Podia ser diferente, sabe, moço?

Você podia perguntar meu nome, moço. Eu perguntaria o seu. E conversaríamos. E veríamos que gostamos daquele cantor, e tem aquela banda também. E aquele seu vídeo game preferido, que fez parte da minha infância também. E talvez você me ligasse mais tarde. E ficássemos rindo pelo telefone. E talvez não fosse suficiente. E talvez marcássemos um cinema. E talvez a saudade só aumentasse. E talvez descobríssemos tanto em comum. E tanto incomum. E talvez a vontade de estar junto superasse tudo.

Mas nada disso aconteceu, moço. Só nos conhecemos agora, depois de tanta coisa. E tantos medos. Sabe, moço? Eu tenho alguns medos, também. E você tem os seus, que não sabe esconder direito. Tão transparente você, moço. E quando nossos olhos se encontram, podíamos sustentar isso e sorrir, e sonhar. E não desviar, como se fosse errado, como se fosse medo.

Sabe, moço, podia ser diferente.

Anos 1 a 4

Não se pode ter medo do amor

09:19


Você é uma boa pessoa. Só teve o coração partido. E quando isso acontece, é preciso tempo. Por mais clichê que isso possa parecer, o tempo cura tudo. Ou, pelo menos, ameniza bastante até que seja possível conviver com a cicatriz que tenha ficado, porque elas acabam fazendo parte da gente. Você precisa saber que, às vezes, o amor machuca. Mas, na verdade, não é ele quem machuca. O amor cura, revigora, dá um novo tom ao que antes parecia sem graça. Então, permita-se. Vá com calma, tudo bem, até sentir-se seguro de novo. Se tiver medo, pare. Segure a mão de alguém quando estiver escuro. E vá. Deixe que o vento do amor te leve pras nuvens quando estiver pronto de novo. Mantenha os pés no chão. A razão tenta proteger da queda, caso ela venha. Mas permita-se sentir. Poucas pessoas têm a chance de viver algo grandioso e, se for esse o seu caso, não deixe isso se perder.

Anos 1 a 4

Não somos. Quando seremos?

09:29

Dentro de mim mora uma esperança que sempre me faz acreditar que é você chegando por trás, tapando-me os olhos e perguntando “quem é?" Mas não. Sempre acho e nunca é. Tenho medo de ficar com medo de ser decepcionada de novo e acabar deixando você ir embora quando finalmente nos encontrarmos.

Sempre somos um "quase lá". Ou, na verdade, não somos nunca. Sempre acho que somos, mas sejamos sinceros, não é verdade. Nunca chegamos nem perto de ser. Sou só eu, cá. E você, lá. E eu sempre acabo abrindo um espaço, por menor que seja, pra um "nós" que nunca vem. O resultado disso é esse "quase lá" que sufoca, esse "e se..." que nos enche o pensamento. Um emaranhado de "porquês" não respondidos.

Então, a esperança de que falei no início é que mantém a coisa nos eixos, pelo menos, às vezes. A ideia de que seremos um dia. E, quando esse dia chegar, essas confusões todas farão sentido.

Anos 1 a 4

Te peço: vem pra pertinho de mim

19:38


Se eu tiver medo, me mostre que não há o que temer. Pegue a minha mão e me mostre que tudo vai ficar bem. Me abraça forte e mostre que vai cuidar de mim. Talvez eu resista e faça birra, minha parte brava querendo aparecer. Mas tenho um lado meigo, esse lado que transforma chuva em poema, ou raios de sol em sorrisos, que vai amar esse seu lado protetor.

Então, te peço, vem. Vem pra pertinho de mim, pra nos aquecermos em dias de chuva, pra trocar carinhos em dias comuns (e que sejam todos!). Vem que vou cuidar de você da melhor forma que eu puder, que é aquela que você merece. Vem, que te cuido e protejo e pinto sorrisos nesse seu rosto lindo. Te peço, vem. Vem e me cuida também.

amor

Para solteiros e namorados

10:38


Dia dos Namorados. Todo mundo falando de amor em todos os lugares. Como sempre, muita gente falando de amor e pouca gente sabendo amar. A ideia desse texto não é dar conselhos a ninguém (quem sou eu pra isso!) mas fazer refletir um pouquinho.

A data de hoje mexe de verdade com algumas pessoas. São pessoas que estão solteiras e caem em depressão por isso. São pessoas que estão namorando e acham que o que importa é que hoje seja tudo perfeito. Ah, gente, fala sério! Vamos conversar um pouco. O que a data de hoje representa pra você? É só mais uma data comercial que inventam pra vender coisas e a vida vai seguindo em frente. Claro, já entramos no esquema e participar dessas datas pode ser divertido e tal. Tá bom. Mas isso não é o mais importante!

Minhas queridas amigas solteiras e meus queridos amigos solteiros, por que nós estamos solteiros? "Eu sou problemático(a) e tudo dá errado pra mim", "Não apareceu a pessoa certa", "Sou mais feliz solteiro(a) e não quero saber de compromisso"! Essas devem ser as respostas mais frequentes. Vamos com calma! Você que acha que é problemático(a), o que você faz pra mudar isso? É, só você pode ser responsável por uma melhora pessoal! Quer ser mais gentil, educado(a), romântico(a), sei lá? Pratica!, tenta!, se dedica de verdade!

Tá, você que é super legal, esse não é o seu caso, né? Vem cá, tem alguém que passa na sua mente quando falam sobre alguém legal, que te faz bem, que você gosta de estar perto? Você já disse a essa pessoa o quanto ela é importante pra você? "Mas Michelle, sou super hiper mega tímido(a), não tem chance dela/dele olhar pra mim, blá, blá, blá..." Por acaso essa pessoa é algum tipo de super herói/heroína? Cadê sua auto-estima? Se nem você mesmo acredita em você, imagina os outros! "Mas eu posso ouvir um não!" Grande coisa! Você não vai ser nem a primeira nem a última pessoa a ouvir um não, e pode ouvir mais de uma vez! Talvez isso doa no começo mas depois passa! E faz a gente crescer! Como disse a Bruna, "um passado cheio de tentativas ainda é melhor do que um passado cheio de pendências"! Imagina passar o resto da vida pensando que poderia ter sido diferente simplesmente se você tivesse dito "Oi!"?

"Tá Michelle, mas não passa ninguém pela minha cabeça, nem tô a fim de um compromisso agora". Então qual o seu problema, meu bem? Vai ser feliz! Vai cuidar de você, da sua vida, experimentar músicas novas, vai aprender uma língua nova, ou a tocar um instrumento. Vai se descobrir! Vai se reinventar! Vai se conhecer melhor! É ótimo!

Agora, meus queridos casais, cuti-cuti, môzinhos! O que a data de hoje significa pra você? Comprar o maior urso que você puder carregar? Ou uma caixa enorme do chocolate favorito dela/dele? Tá, tem um monte de coisa superfofa que faz a gente feliz, mas, ainda assim, isso não é o mais importante! Olha pra pessoa que você chama de namorado/namorada. Se ela não tiver por perto, só pensa nela. Por que vocês estão juntos? "Ah, Michelle, ela/ele tem um sorriso só dela", "Ele/ela tem um jeito que me arranca sorrisos sem esforços", "Eu simplesmente gosto de estar com ele/ela". Parabéns! Você tem uma coisa super especial nas mãos, ou no coração, né? E o que você faz pra preservar isso? É, isso exige cuidados diários, não só no Dia dos Namorados. É preciso regar, cuidar, proteger. Superar as diferenças todo dia, pedir desculpas, ser humilde, jogar o orgulho pra longe, porque isso é o pior de tudo! E amar, e ser amado! Então, quando vocês estiverem brigados, ou quando simplesmente estiver estressado, pensa nessas coisas. Pensa quão especial aquela pessoa é e o quanto você gosta dela! E fala pra ela também, porque todo mundo gosta de ouvir isso, de vez em quando, mesmo que já se saiba!

Então, gente, solteiros e namorados, vamos pensar direitinho em nós e no outro! Vamos ser mais gentis, mais coração, sem esquecer a razão, claro! Vamos encher o mundo de amor, mais olhos nos olhos, mãos dadas, abraços, palavras, sorrisos! Vamos encher o mundo de amor, gente!

Anos 1 a 4

O menino da camisa amarela

08:00


O menino da camisa amarela tem o sorriso mais doce que eu já vi. Não sei se ele sabe mas nenhum sorriso tem chance perto do dele. Os olhos do menino da camisa amarela são igualmente doces, e sinceros. Ah, o abraço dele também. O menino da camisa amarela é o menino mais doce que já encontrei.

Qualquer um gostaria de morar em seus abraços. Quentes e acolhedores. Assim ele é, acolhedor. Do tipo que não te enche de perguntas quando você não quer falar mas que diz que tudo vai ficar bem de maneira tão confiante que ai do mundo se tudo não ficar bem.

Estando com ele você não precisa de grandes lugares ou coisas. Ele torna os momentos grandes, e risonhos, e aconchegantes. Uma vez ele me disse que queria apenas transformar o mundo de alguém pra melhor. O menino da camisa amarela não sabe que qualquer um que o tem como amigo já tem a chance de ter a vida mudada pra melhor.

O menino da camisa amarela é daqueles tipos de gente que merece ser feliz. Achar alguém que o ame tanto quanto ele ama. Alguém que se importe. Pra tomar banho de chuva. Pra correr na beira do mar.

Sorte daqueles que o tem por perto. Sorte daqueles que o tem como amigo. Sorte daqueles que o tem como amado. Sorte daqueles que o tem como amor.

Anos 1 a 4

Ela é menina; ela é mulher

09:00


Tem algumas coisas que você vai descobrir quando começar a conhecê-la. E sempre vai descobrir novas coisas sobre ela. Porque ela tá sempre tentando melhorar e sempre tem algo pra surpreender. Pelo menos, ela tenta.

Ela tem mania de se perder nos pensamentos, sabe-se lá o que passa na cabeça dela nessas horas. Se observá-la enquanto estiver distraída e ela, por acaso, perceber, vai voltar pro mundo real e sorrir. Com a boca e com os olhos.

Ela se faz de durona, é verdade. E ela é. Não totalmente. Às vezes, ela é chata. E orgulhosa também. Ela vai brigar com você, se fizer algo que ela não goste. Ou simplesmente, se der vontade. Mas saiba que ela só briga porque se importa.

Ela gosta de atenção. Não é mimada. Só quer ser, de vez em quando, o centro das atenções. Das suas atenções. Das atenções de quem a ama. Então, diga a ela o quanto ela é importante pra você. Não precisa dizer sempre, senão a sensação acolhedora de ouvir essas palavras vai sumir. Mas quando sentir falta dela numa tarde qualquer, ou olhar pra ela perdida em seus devaneios, diga o quanto ela é legal.

Lembra que, às vezes, ela é orgulhosa? Então, talvez ela esteja chateada e não brigue. Talvez ela fique calada, de cara feia, ou meio chorosa. Não encha ela de perguntas nessas horas. Deixa ela quietinha até passar. Se quiser, fique do lado dela. Mostre que está ali porque se importa, sem dizer uma palavra. Ela vai entender. Se quiser, a abrace. Talvez ela chore um pouco. Não se preocupe. Continue com ela, passa rápido.

Todos esses cuidados que o lado menina dela exige são retribuídos pelo seu lado mulher. Ela cuida direitinho daqueles que ama, mesmo que do jeito errado, às vezes. Mas se ela se importa com você de verdade, sorte a sua. Ela quer fazer todo mundo feliz. Porque é só vendo quem a gente ama feliz, que a gente pode ser feliz também.

Alguns últimos detalhes. Não a machuque, em hipótese alguma. Parece que seu lado emocional toma conta da razão nesses momentos. Cuide dela, mesmo quando ela achar que pode se virar sozinha. Leia os olhos dela. Nem sempre ela transforma o que sente em palavras. E, se ela disser que te ama, cuide pra que ela nunca se arrependa de ter dito isso.

Anos 1 a 4

Nem sou tão complicada assim...

18:29


Ah, não sou tão complicada assim! Tenho meus dramas, minhas contradições emocionais, mas não é impossível me entender. Repara nas minhas entrelinhas. Repara no que não digo. Repara no que digo com os olhos.
De longe, você que não me conhece pode achar que pouquíssimas pessoas são permitidas no meu mundinho particular. Não é verdade. Meu coração é enorme, sempre acolhedor. Existem alguns requisitos, e quem não os tem? Mas se quiser participar, talvez consiga preenchê-los.
Não sou complicada. Sou apenas eu. Com meu lado impaciente e defensor, e outro lado risonho e sonhador. Meio brava e chata, meio sensível e dramática. Não sou uma contradição. Sou apenas razão e emoção. Onde o coração muitas vezes fala mais alto.