Sobre educação e primeiro emprego - Entre Sujeitos e Verbos

15/02/2014

Sobre educação e primeiro emprego

Um dia desses estava no ônibus e, me desculpem, não pude evitar de ouvir uma conversa entre duas jovens que me fez repensar umas questões sobre educação e primeiro emprego que há muito me incomodam. Aliás, faz tempo que queria escrever sobre essas questões e vinha adiando.

As meninas deviam ter algo em torno de 19 anos. Não sou boa em deduzir idades. Ambas haviam terminado o ensino médio e estavam tentando conseguir um emprego. O primeiro. A conversa me chamou a atenção quando uma delas disse: "nunca pensei que seria tão difícil conseguir um emprego quando terminasse de estudar". E começaram a falar sobre suas experiências em entrevistas de emprego.

Devo começar dizendo que dois trechos na frase da menina me chamaram a atenção: 1. dificuldade de conseguir o primeiro emprego; 2. "quando terminasse de estudar". Comecemos pelo número 2. Terminar os estudos. Isso é possível? Cresci ouvindo que nunca devemos ou podemos parar de estudar. Familiares, professores, todos me diziam a mesma coisa. Acontece que a maioria dos jovens no nosso país não têm a mesma perspectiva. Infelizmente, concluem o ensino médio (quando concluem) e partem em busca de sobreviver. E isso leva ao trecho número 1: dificuldade de conseguir um emprego.

Durante o ano passado, meu último no ensino médio integrado ao técnico, descobri o quanto pode ser difícil e demorado entrar no mercado de trabalho. E como eu queria! Entrevistas e mais entrevistas, surgiam cargos que exigiam experiência, maioridade, carteira de motorista, especificavam gênero. E até conseguir meu primeiro estágio, levaram alguns meses. E isso sendo que curso o ensino técnico. Para os milhões e milhões de jovens que não chegam nem a concluir o ensino básico a situação pode ser muito pior.

A pior parte é a péssima (sim, péssima, terrivelmente péssima) educação que nosso país oferece aos jovens. A educação brasileira é muitas vezes mascarada como excelente por provas que não são realmente indicadoras de qualidade. Uma das milhões de provas disso também esteve presente na conversa das meninas no ônibus, que me pareceram estar a caminho de mais uma entrevista de emprego.

Em determinado momento uma delas explicava que havia feito uma prova para trabalhar numa farmácia. A prova era uma etapa da seleção, que ainda deveria contar com entrevista. Quando ela afirmou que a prova foi dificílima, nas palavras dela "muito difícil, sou muito ruim em matemática e só tinha matemática", a outra perguntou o que havia sido cobrado e ela respondeu: "Imagine: só tinha conta de menos com vírgula!"

2 comentários:

  1. Michelle quero fazer uma sugestão de leitura para você. É um livro que a algum tempo venho lendo quando tenho folga das atividades de docência... Trata-se de 'Pai Rico, Pai Pobre' de Robert Kiyosaki. Este livro fala acerca da importância da educação financeira para a formação do jovem... Recomendo-o.

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    Respostas
    1. Li a sinopse e achei interessante! É algo que costumo dizer, a vida oferece chances pra quem corre atrás. Não existe emprego certo para ninguém. O livro já me chamou atenção, obrigada pela indicação!

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