O truque de mágica de Buster Keaton

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Este post foi escrito por Bardo quando colaborador do Entre Sujeitos e Verbos



O cinema mudo e preto e branco é comumente encarado de forma preconceituosa pelo público em geral. No entanto, como o valor do tesouro geralmente é avaliado por sua antiguidade, esses supostos decréscimos técnicos não influem na qualidade da produção, por vezes enriquecendo-a. A comédia foi um gênero bastante comum dentre as produções americanas. Podemos dizer que um dos grandes expoentes do berço do cinema foi Buster Keaton.


A comédia corporal é deliciosamente explorada pelo cineasta e ator. Mas ainda que gênio da comédia, seu primor e maior habilidade está na edição de filme. Aqui chamaremos a atenção para uma de suas produções mais proeminentes: Sherlock Jr, de 1924. Um projetista e faxineiro de um cinema pede em casamento uma garota. Seu rival, porém, o incrimina por roubar a corrente do relógio do pai da moça. O jovem projetista, aspirante a detetive, sente-se decepcionado. Ao ir trabalhar dorme em meio à projeção de um filme, e sonha que a película projetada é sobre a história dele como Sherlock Jr - o segundo melhor detetive só mundo, que desvendada o caso do roubo da corrente. Observe o filme abaixo, essencialmente o minuto 16. Observe os cortes da notória edição.



Utilizando apenas de edição - na época uma tesoura literal bastava - Buster Keaton faz uma das melhores cenas da época: sua figura permanece, cômica, fixada em tela como uma imagem inconsciente de ser apenas uma projeção, contínua na película, perpassando diversos e variados cenários em movimentos corporais hilariantes, enquanto incólume permanece a assistência, como indiferentes para a cena. Uma magia digníssima de aplausos.

Este post foi escrito por Bardo quando colaborador do Entre Sujeitos e Verbos

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